Mil roteiros turísticos em um só lugar

ROBSON PEREIRA


São poucos os endereços na internet que podem comemorar a marca de 1 milhão de visitantes e conciliar interesses diversos de leitores de 270 países. Howard Hillman é responsável por um deles, o www.hillmanwonders.com, um site de viagens diferente da maioria dos que existem por aí e que se propõe, sem falsa modéstia, a relacionar em um só lugar as mil maravilhas turísticas que existem no mundo.


É um prato cheio para os viajantes mais exigentes e, de quebra, uma bela massagem no ego brasileiro.


Hillman sabe o que diz e tem credibilidade para dizer o que sabe. Especialista em gastronomia e turismo, formado pela Harvard Business School, escreveu 25 livros sobre o assunto e colabora para uma dezena de jornais e revistas, numa relação que inclui títulos como The New York Times, Washington Post, Wall Street Journal e Newsweek, entre vários outros.


Orgulha-se de ter percorrido em 30 anos quase 2 milhões de quilômetros e cruzado as fronteiras de uma centena e meia de países, “do Afeganistão ao Zimbawe”. Nessa peregrinação, experimentou as delícias e a sofisticação de cidades como Paris e New York, mas rendeu-se também aos encantos de um sem-número de vilarejos. Com tanta bagagem, decidiu rever e ampliar a milenar lista das Sete Maravilhas do Mundo Antigo, considerada por ele incompleta e insuficiente.


O planeta é grande e bonito demais para cultuar tão pouco, acredita Hillman. Ele não despreza o valor histórico de monumentos como o Colosso de Rhodes, os Jardins Suspensos da Babilônia, o Farol de Alexandria ou os templos de Zeus e Artemis, mas sugere em tom de brincadeira que a lista foi organizada por alguém pouco viajado. Afinal, todos esses monumentos cobrem menos de 5% da superfície da Terra e já se passaram mais de 4 mil anos desde que a Pirâmide de Khufu começou a ser erguida.


Ao contrário da lista famosa, as maravilhas relacionadas em Hillmanwonders.com estão espalhadas por todo o mundo. São mil destinos no total, divididos em três grandes blocos e que representam, segundo afirma, apenas 1% dos lugares que realmente fazem diferença no mundo e que todos deveriam conhecer um dia. Pelo menos, um deles.


Ao lado de pontos turísticos tradicionais, como as Pirâmides do Egito e a Muralha da China, que encabeçam a relação, Hillman incluiu roteiros pouco convencionais, como Ngorongoro, na África, ponto de partida para a maior migração de animais selvagens em todo o mundo. São mais de 1 milhão de zebras, elefantes e outros animais (carnívoros fora, evidentemente) que passam o ano se deslocando em uma rota circular em busca de água e comida, explica o guia.


O Brasil está bem representado no ranking, com quatro citações entre as cem maravilhas do mundo em todos os tempos. Duas delas, as Cataratas do Iguaçu e a Floresta Amazônica, foram incluídas no seleto grupo dos dez mais deslumbrantes destinos em todo o mundo, ao lado de endereços mundialmente conhecidos, como as Pirâmides do Egito, o Taj Mahal (Índia), o Grand Canyon (EUA) e Machu Picchu (Peru), além da já citada muralha amarela.


Hillman gosta do Rio e deixou isso bem claro: as praias de Ipanema e Copacabana, o Pão de Açúcar e o carnaval carioca na Marquês de Sapucaí, que no ranking aparece à frente da Torre Eiffel, o monumento símbolo de Paris e das Cataratas do Niágara, ambas incluídas entre as atrações turísticas mais visitadas no mundo.

Zimbawe líder em softwares piratas. E daí?

ROBSON PEREIRA


Para cada US$ 100 de software vendido, US$ 69 são gastos com produtos não licenciados ou “piratas”, expressão preferida pelos fabricantes e entidades representativas dos fabricantes. Os números integram o relatório anual da Business Software Alliance (BSA). Foram divulgados agora, em maio, mas a base de comparação é 2008. Não importa. Em maio de 2009 sai o deste ano. Vai ser curioso ver como a crise econômica mundial interferiu nestes números.


Quem preferir ou tiver necessidade de ter o relatório completo em mãos basta acessar o site da BSA. Aqui, ficaremos apenas com os números e as conclusões que me pareceram mais interessantes destacar.


O estudo da BSA levou em conta o mercado de software e hardware de 110 países. Em 57 deles, a metade, portanto, a situação melhorou sob o ponto da vista da indústria, o que significa dizer que o espaço para a “pirataria” encolheu. Em 40 países, (36%) o quadro manteve-se inalterado e apenas nos 13 restantes o consumo de softwares sem licença aumentou.


A Europa Central e Leste Europeu apresentam “índice de pirataria” mais elevado, segundo o relatório da BSA, com média de 66% de uso de softwares cujas receitas não passaram pelo caixa dos fabricantes. Ucrânia, Rússia, Montenegro e Kazaquistão contribuem significativamente para o aumento da média, com índices que variam de 91% (Rússia) a 83% (Montenegro).


Praticamente empatada, aparece a América Latina (65%), com a liderança da Venezuela (86%), seguida de perto por Paraguai (83%) e Bolívia (81%). Já o Brasil registrou a segunda menor taxa (58%), perdendo (ou será ganhando?) apenas da Colômbia, com 56%.


Na Ásia e no Pacífico, Vietnã (92%) e China (90%) lideram a relação dos países com maior índice de programas piratas. Na parte de baixo da tabela, Cingapura, Austrália e Nova Zelândia, com 42%, 32% e 23%, respectivamente.


No Oriente Médio e na África, Zimbawe (92%), Iêmen (89%), Líbia (87%) e Iraque (85%), estão no topo da tabela, enquanto os Emirados Árabes (35%), África do Sul (34%) e Israel (32%) contribuem para puxar para baixo a taxa média de pirataria na região (60%).


Com 20% de presença de software não licenciado, os Estados Unidos aparecem como o País de menor índice relativo de “piratas”. Bom para as indústrias? Nem tanto. Como têm a maior quantidade de computadores do planeta, esses 20% de programas piratas provocaram no ano passado um prejuízo acima de US$ 9 bilhões, segundo os cálculos dos fabricantes.


Aqui vale a primeira pausa para efeito de comparação – e reflexão. Vejamos o exemplo do Zimbawe citado acima, com 92% de índice de pirataria, índice este que representa para a indústria de software, segundo o próprio relatório da BSA, uma perda insignificante, da ordem de US$ 4 milhões. Basta fazer a conta: dá 0,04% do “prejuízo” das indústrias nos EUA. Seguimos.


Depois da América do Norte, a Europa registra o menor índice de pirataria (33%), mas pelo tamanho do mercado é a região que apresenta a maior estimativa de perda para os fabricantes, algo em torno de US$ 13 bilhões. Somadas, América do Norte e Europa (perdas estimadas em R$ 23,5 bilhões) representam quase a metade dos R$ 52 bilhões que os fabricantes supostamente teriam perdido em 2008 com a pirataria.


O estudo produzido pelos fabricantes de softwares citam, entre os fatores que levam ao aumento da pirataria, alguns dados interessantes, como o ingresso de 135 milhões de novos usuários de internet em 2008; maior acesso à banda-larga; e as flutuações de taxas de câmbio ou impostos que aumentam o custo efetivo do software. Com relação aos dois primeiros aspectos, o relatório “adverte” que “a disseminação do acesso à internet irá incrementar o fornecimento de software pirata”. E faz uma estimativa: “nos próximos cinco anos, 460 milhões de pessoas em mercados emergentes estarão on-line”.


Claro e cristalino, mas não de todo verdadeiro. Particularmente, torço para que as duas previsões feitas acima se concretizem: que o número de usuários de internet cresça sem parar, No Zimbawe e em qualquer outro lugar e que junto com este crescimento a banda larga seja considerada elemento da cesta básica destes novos chegantes. Quanto ao terceiro ponto, que os preços dos softwares e não apenas dos impostos caiam em índices tão elevados quanto esses da “pirataria”.


Além do mais, não custa lembrar: para a maioria dos usuários comuns, os softwares que ele utiliza não precisam ser “piratas”. Eles estão na própria internet, com códigos abertos, à disposição de qualquer um, para ser baixado e usado livremente sem qualquer sentimento de culpa. Gratuitamente, é bom que se diga.

Acertando os ponteiros do relógio


ROBSON PEREIRA


Quem ainda encontra dificuldades para atrasar ou adiantar os ponteiros do relógio com o início e o fim do horário de verão talvez imagine a confusão em 31 de dezembro de 1912, véspera da entrada em vigor do decreto assinado por Hermes da Fonseca fixando as regras para o sistema de fuso horário no País. Para que cada estado se enquadrasse à determinação seria necessário uma correção nos horários até então adotados em cada região, a partir das capitais.


À meia-noite de 31 de dezembro, os moradores de Manaus, por exemplo, tiveram de adiantar seus relógios em 4 segundos, ao passo que em Recife os ponteiros precisaram ser atrasados 40 minutos e 35 segundos. São Paulo, por sua vez, perdeu 215 preciosos segundos, enquanto o Rio, então Capital Federal, precisou atrasar os ponteiros em 7 minutos e 19 segundos. Isso tudo sem televisão, tampouco internet para dar uma ajuda.

Carimbador oficial do tempo real


ROBSON PEREIRA


Imagine um chip dotado de um sistema de localização por satélite e com um mecanismo certificador da hora exata, medida em milésimos de segundo, numa espécie de síntese moderna da velha equação tempo e espaço das teorias de Einstein. Talvez nem esteja nos planos dos fabricantes e não há a menor garantia de viabilidade econômica para as operadoras que disponibilizassem o serviço, mas é bom saber que a possibilidade existe e nunca esteve tão próxima.


GPS e RCT são as seis letras que poderiam tornar isso possível a curtíssimo prazo. As três primeiras, de Global Positioning System (ou Sistema de Posicionamento Global, em bom português), dispensa apresentações por já estar definitivamente incorporada ao dia a dia de todos nós, em telefones ou até mesmo em mochilas. A novidade mesmo está na segunda, o Recibo de Carimbo do Tempo, um nome sem pompas para uma tecnologia de vanguarda que está sendo oferecida ao mercado pelo Observatório Nacional, o mais antigo entre todos os centros brasileiros de pesquisas. Um serviço sob medida para a atual era digital que cobre o planeta.


O Observatório Nacional nasceu por inspiração e ordem do imperador d. Pedro I, mas foi só em 1913, pela caneta do então presidente Hermes da Fonseca, que assumiu o papel de guardião legal da hora brasileira. É ele que tem a missão de gerar, conservar e disseminar o horário oficial utilizado em todo o território nacional e representar o País junto ao Tempo Universal Coordenado (UCT, na sigla em inglês), ao lado dos órgãos disseminadores do tempo dos demais países.


Não são atribuições novas e, exceto pelas técnicas envolvidas na área de sincronização, a tarefa de administrar o tempo não deve ser das mais complicadas – até porque jamais se ouviu falar em riscos de um “apagão do tempo” . O que é novo nesta história é a forma de lidar com algo tão banal e ao mesmo tempo (sem trocadilhos) tão valioso como a hora certa, tanto sob o ponto de vista estratégico quanto financeiro.


É verdade. Recém completados 180 anos de existência, o Observatório Nacional começa a vislumbrar receitas ($$$) com a hora certa, um requisito cada vez mais necessário na vaidade de pessoas ou de grandes corporações, graças ao avanço da internet e das transações eletrônicas. E o RCT é a prova definitiva e absoluta de quando efetivamente uma informação foi recebida ou um negócio foi fechado.


Criptografia, chaves públicas e assinaturas digitais conseguem resolver bem qualquer dúvida sobre a autoria de documentos eletrônicos, mas inexistia no mercado um mecanismo que pudesse atestar, de forma científica e inquestionável, a hora exata em que um determinado documento foi criado, copiado ou transmitido de um computador para outro. Até agora, o único e frágil indicador aceito pelas partes era o horário atribuído ao documento pelo próprio computador, algo facilmente burlável até mesmo pelo mais inexperiente usuário.


É aí que entra o Carimbo do Tempo, um registro certificado pela Divisão de Serviço da Hora e emitido por empresas credenciadas junto ao Observatório Nacional. Por enquanto, só uma, a Comprova, oferece o serviço a um grupo seleto de clientes, como o Banco Central e o Serviço de Processamento de Dados do governo federal e empresas para as quais o tempo realmente significa dinheiro. O carimbo gera nos documentos um código com a hora exata da transação (hora, minuto, segundo e frações, além do dia, mês e ano) e um número de série, único para cada certificação.


É o primeiro de uma série de aplicativos que serão desenvolvidos, na medida em que demandas e necessidades forem surgindo. E não significa que o serviço, necessariamente, ficará restrito às empresas. Como o sistema permite vincular uma data a qualquer documento que possa ser transformado para a forma eletrônica, fica fácil prever uma série de utilidades ou demandas.


É pouco provável que alguém vá recorrer a um Carimbo do Tempo gerado por um relógio atômico de última geração para justificar (ou negar) um pequeno atraso a um compromisso social ou na chegada ao trabalho. Mas talvez isso também seja apenas mais uma questão de tempo, como tantas outras onde a novidade poderia ser bem recebida. Pagamentos de contas pela internet, por exemplo, mesmo que o computador do outro lado, por pane ou qualquer outro motivo, não tenha gerado um comprovante da operação. Ou um e-mail devidamente carimbado, à prova de questionamentos – judiciais, inclusive.


Quem sabe, o rascunho de um livro ou o esboço de um projeto com vistas a um registro futuro. E por que não o tal chip hipotético previsto lá em cima? Quem certamente torceria o nariz para um Carimbador do Tempo tão versátil assim é a turma que se apavora com a simples possibilidade de ver a sua privacidade invadida. Afinal, quem já não gosta que terceiros (ou mesmo segundos) saibam por onde você anda, imagine quando souberem também quanto tempo você costuma ficar por lá.

Outras histórias sobre mercadores da morte


ROBSON PEREIRA

Na coluna anterior (“A internet e o lucrativo mercado da morte”) citei alguns exemplos de como a morte de alguém – principalmente as bem nascidas ou bem vividas – estão se transformando em um mercado milionário e em franca ascensão. Funerais submarinos, técnicas de congelamento (Walt Disney não foi congelado, que fique claro), diamantes feitos de cinzas humanas foram algumas delas. Mas não para por aí.


Opções bem mais caras do que as citadas acima são oferecidas pela Houston’s Celestis que, em vez do mar, optou pelo espaço como depositário dos restos mortais de seres humanos. As cinzas são acondicionadas em pequenos recipientes de alumínio, levados ao espaço a partir de uma base aérea localizada na Califórnia.


O preço é salgado. A empresa cobra cerca de US$ 1 mil por cada grama de cinza depositada na órbita terrestre. Se o destino for a órbita lunar, o preço sobre para US$ 12,5 mil, valor cobrado para o transporte de um frasco com sete gramas de cinzas. A empresa anuncia que em 2010 colocará as cinzas na própria superfície lunar.


Quem não gostaria de olhar para o céu e sentir que um ente querido está neste momento em algum ponto do Universo?, provoca um porta-voz da Houston’ Celesties. Os cilindros com as cinzas percorrem uma distância equivalente a 28 mil vezes a órbita do planeta antes de retornar à atmosfera terrestre, quando se desintegram (tanto o cilindro quanto o seu conteúdo, é bom que se diga). Toda a trajetória das cinzas – até a evaporação – pode ser acompanhada no próprio site, por meio de mapas online. Em uma missão recente, o reingresso na atmosfera terrestre ocorreu em uma região da Austrália.


Já a Forever Entrepises, responsável pela administração de vários cemitérios na Califórnia, Kansas e Missouri, acha injusto recordarmos nossos antepassados apenas por um nome, um par de datas ou mesmo algumas palavras esculpidas em pedra. Por isso resolveu colocar no mercado o primeiro memorial multimídia. Trata-se do Forever Netwwork, uma superprodução digital capaz de fazer inveja a algumas produções de Hollywood.


O pacote completo, oferecido no site da empresa a US$ 4 mil, inclui um documentário com os principais fatos ocorridos desde o nascimento até a morte do ente querido. O material é exibido em telas de plasma líquido durante o funeral e permanece disponível para a posteridade, podendo ser reeditado, por exemplo, para receber novos conteúdos. Talvez por coincidência ou até mesmo por comodidade, um dos maiores cemitérios da Forever Entrepises, o Hollywood Memorial Park, está localizado próximo aos estúdios da Paramount, Tinseltown. No local, estão sepultados, entre outros, o ator Rudolph Valentino (1875-1926) um dos maiores nomes da história do cinema.


Administração moderna de cemitérios, com o uso das mais modernas tecnologias, não é privilégio de americanos, como demonstra o Grupo Vila, que há mais de meio século administra alguns dos maiores cemitérios instalados no nordeste brasileiro. Um dos destaques do grupo empresarial é o Cemitério Morada da Paz, considerado um dos mais avançados do País, dotado, inclusive, de um ateliê próprio, de onde saem as obras de artes que decoram o cemitério.


Mas a grande novidade não está no luxo e conforto oferecidos pela Morada da Paz, mas no velório virtual. Web câmeras estrategicamente instaladas permitem acompanhar ao vivo, pela internet, as últimas homenagens aos mortos. A intenção, de acordo com os administradores do cemitério, é permitir que parentes e amigos que moram em outras cidades ou mesmo fora do País possam acompanhar o velório e prestar solidariedade à família. A empresa também oferece no “cardápio” o Memorial Eletrônico – um vídeo, com imagens, textos e músicas, exibido durante o velório.

A internet e o lucrativo mercado da morte


ROBSON PEREIRA


Morte sempre foi uma tema tabu em várias sociedades, mas recentemente ganhou um aliado importante e um campo fértil a ser explorado. Mais de nove milhões de endereços na Internet abordam e discutem livremente o assunto, ao mesmo tempo em que consolidam um mercado que se tem revelado extremamente lucrativo.


Vou contar aqui algumas histórias recolhidas diretamente na fonte e que ilustram bem o tamanho desse mercado. Algumas das histórias podem parecer mórbidas – e talvez sejam mesmo mórbidas – mas não terá sido esta a intenção. Pelo menos como tentativa, ficam de fora preconceitos ou juízos de valores.


A primeira, diz respeito a uma celebração que se repete há 35 anos, quando familiares e amigos de James Bedford se reúnem para um aniversário diferente. Não há o tradicional “parabéns prá você”, tampouco os votos de “muito anos de vida”, mesmo por que o psicólogo James Bedford, o homenageado, morreu em 1967, logo após completar 74 anos.


No mesmo dia em que morreu, a família mandou congelar o corpo, um desejo várias vezes reiterado pelo próprio Bedford. Jamais passaria pela sua cabeça episódios como a Guerra do Golfo, a derrocada do Império Soviético ou o ataque às torres gêmeas do WTC e as invasões do Afeganistão e do Iraque, sem falar na crise econômica mundial que eclodiu no último trimestre do ano passado. Mas James acreditava na possibilidade de, “no futuro”, ter a sua vida restaurada e descobrir que o câncer que o matou deixara de ser um desafio para a medicina.


Foi o primeiro homem a ser congelado com base em métodos científicos. Depois dele, outras cem pessoas foram submetidas à mesma técnica, a criogenia, que consiste, basicamente, na substituição de todo o sangue por uma substância anticongelante, seguida pela imersão de todo o corpo em tubo repleto de nitrogênio líquido. O processo completo já foi testado com êxito relativo em pequenos animais, mas não há garantias de que possa dar certo com um ser humano.


Pelo contrário, cientistas de renome garantem que o sonho de Bedford continuará a ser sempre um sonho, exceto no que diz respeito à cura para o câncer. Tal certeza não é compartilhada pelos pesquisadores da Alcor Life Extension Foundation e do Cryonics Institute, duas empresas que atuam nesse segmento – o congelamento de seres humanos com vistas a um hipotético renascimento.


A taxa de inscrição para o programa não é alta, mas o custo total – com direito a assistência permanente por um período de 200 anos – pode chegar a US$ 250 mil, sob a forma de um seguro de vida contratado pelo interessado e que tem nas empresas os principais beneficiários. Em pelo menos um caso, a questão foi parar nos tribunais.


Uma filha do lendário Ted Willians, um dos maiores nomes do beisebol americano, morto em julho de 2001, aos 83 anos, tentou reaver o corpo do pai. Willians foi congelado com autorização do filho mais velho, supostamente para atender um pedido feito anos atrás pelo pai. No final, valeu o desejo do astro do beisebol, curiosamente documentado em um guardanapo. Dois anos depois, o filho que autorizou o congelamento do pai morreu de leucemia. Hoje, ambos repousam em urnas da Alcor.


Na batalha judicial, a filha argumentou que o pai jamais manifestou tal intenção e deixou clara sua desconfiança de que o irmão pretendia vender – bem caro – “porções” de DNA do maior nome do beisebol em todos os tempos. Além de centenas de corpos congelados (a uma temperatura que pode chegar a 300 graus negativos), mais de mil pessoas de várias partes do mundo (o Brasil, inclusive) encontram-se na lista de espera da Alcor e do Cryonics.


A segunda história – ou já será a terceira? – diz respeito a uma lucrativa indústria que se desenvolve no segmento pós-vida. De olho nas estatísticas de órgãos oficiais que apontam um índice de 25% de cremações nos Estados Unidos, várias empresas tentam inovar com um leque bem variado de opções para as cinzas de entes queridos.


A criatividade passa a ser o limite, como demonstra o pessoal da LifeGem Memorials. A empresa, com sede em Chicago, produz e comercializa lotes de diamantes inteiramente produzidos com cinzas de seres humanos, como forma de, literalmente, eternizar parentes e amigos. E não para de crescer.


A técnica utilizada é relativamente simples: as cinzas decorrentes de uma cremação tradicional são purificadas em forno especial capaz de atingir uma temperatura próxima dos 1.700 graus centígrados. O resultado é uma quantidade de carbono – o mesmo material dos diamantes – que é submetida a um processo de compressão por um período mínimo de um mês.


Dependendo da quantidade de cinzas, é possível conseguir-se até 50 diamantes. Os preços variam entre US$ 4 mil e US$ 20 mil, dependendo do grau de pureza do diamante. As cinzas não utilizadas são devolvidas à família e poderão ser utilizadas para a reposição das peças em caso de roubo ou perdas. E o comprador pode escolher a pedra preciosa transparente ou nas cores azul, verde, amarelo e vermelho.


Diamantes sintéticos, é bom que se diga, são fabricados há mais de meio século, mas esta é a primeira vez na história da humanidade que cinzas humanas estão sendo utilizadas na fabricação desses pequenos objetos de desejo. No Japão, mais de 90% dos mortos são cremados – o que o faz prever um futuro promissor para a atividade.


Quem também está de olho neste mercado, é a Eternal Reefs, uma empresa, talvez a única no mundo, criada para administrar cemitérios submarinos. As cinzas são colocadas dentro de pequenas esferas de cimento, que juntas, formam uma espécie de coral artificial.


Um banco de coral, depositado no litoral da Flórida ou da Carolina do Norte, pode chegar a US$ 6,5 mil, mas a empresa oferece a opção de corais coletivos, formado a partir das cinzas de várias pessoas, ao custo unitário de US$ 2,5 mil. Seja qual for a escolha, os familiares recebem as coordenadas para a localização do sepultado via GPS. No site da empresa, além de vídeos e fotografias, é possível saber o calendários de funerais submarinos para 2009.

Mulheres comuns, mas nem tanto


ROBSON PEREIRA


Ana Luíza tem 20 anos de idade e mora no interior paulista. A advogada Ângela Banhos, tem 49 e vive no Rio de Janeiro. Liviana Bernicchi, 82 anos, nasceu em Lucca, Itália, onde passou a infância e a adolescência, antes de vir com a família para o Brasil. Nenhuma das três se conhecem. Não são famosas e têm experiências e histórias diferentes. O único ponto em comum foi a decisão de registrar os momentos mais marcantes de suas vidas em um site na internet.


As três, entre tantas outras, são personagens do Museu da Pessoa, um dos endereços mais premiados da internet brasileira, criado sob medida para eternizar pequenas ou grandes histórias. Ana utilizou 271 palavras para contar a sua. Ângela, 1.261. Já a história de Liviana, que se confunde com a de milhares de imigrantes, foi contada em um depoimento com 8.975 palavras, muitas delas em autêntico italiano.


O Museu da Pessoa foi fundado em São Paulo em 1991, quando muitos poucos sequer sabia o que era um computador, “com o objetivo de construir uma rede internacional de histórias de vida capaz de contribuir para a mudança social”. Criado pela historiadora Karen Worcman, além de contribuir para contar a história não oficial do Brasil, a idéia se revelou um projeto lucrativo. Em sua primeira década, a empresa desenvolveu e produziu mais de 50 projetos, transformados em livros, exposições e CD-ROM. Com a internet, veio o merecido reconhecimento, que hoje extrapola as fronteiras do País.


Resgate e preservação também são palavras-chaves de um outro projeto pioneiro, o Mulher 500 Anos Atrás dos Panos que integra o Programa Pesquisa e Documentação da Rede de Desenvolvimento Humano. Foi lançado “com o propósito de contribuir para romper com o silêncio secular que envolve a atuação, o olhar, o corpo, o saber e a fala das mulheres na nossa história”. Objetivos, estes, plenamente alcançados, vale dizer.


Um dos destaques (são vários) do site é o dicionário das mulheres que desde o descobrimento se destacaram na construção da história do País. São cerca de 800 pequenas biografias de grandes mulheres que tiveram participação ativa na história política, econômica e social do Brasil nos últimos 500 anos.


Exemplos? Luísa Grimaldi, uma portuguesa que após a morte do marido, em 1589, assumiu o governo da capitania do Espírito Santo, com a missão de organizar a defesa da baía de Vitória contra a pretendida invasão inglesa. De passados mais recentes, integram a seleção, nomes como os da advogada Alzira Vargas (1914-1992), filha de Getúlio Vargas, e da atriz Leila Diniz (1945-1972), descrita no dicionário como “símbolo da liberdade feminina da geração dos anos 60 e a musa do Cinema Novo”. Vale um final de semana inteiro pesquisando e aprendendo.

Spam já responde por 85% dos e-mails


ROBSON PEREIRA


De cada 100 e-mails que circulam pela internet, 85 são considerados spam, o que significa dizer que você não solicitou, embora, vez por outra conheça o remetente, pelo menos de nome. Apenas os 15 restantes podem ser considerados mensagens, de fato, e como tal apresentam alguma utilidade e, o que é melhor ainda, são confiáveis e estão completamente isentos de qualquer tipo de armadilha ou mesmo vírus. Em abril, o tráfego de spam registrou um crescimento de quase 10% em relação a março.


No início de 2002, spams – com ou sem objetivos comerciais – respondiam por 30% do tráfego mundial de e-mails. No final de julho do mesmo ano, as duas linhas se encontraram, com a quantidade de lixo digital se igualando ao número de mensagens cujos destinatários e remetentes conheciam-se mutuamente.
Nos últimos quatro anos, pela primeira vez, na curta, mas significativa história da internet, a quantidade de mensagens legítimas ficou para trás. E numa proporção alarmante.


Para efeito de análise, deixemos estas 15 inocentes mensagens de lado e vamos nos concentrar nos 85% restantes, aquelas que fazem de nossas caixas postais um verdadeiro campo minado. Ao menor descuido, o seu computador estará infectado e formando mais um elo de uma extensa e bem montada engenharia do mal. Antes, é bom que se diga: todo os números são da MessageLabs, uma empresa responsável pelo monitoramento de 5,8 bilhões de e-mails mensalmente.


Deste universo analisado, o pessoal da MessageLabs detectou que O Reino Unido é o paraíso dos spamers. Nas terras da Coroa, apenas 6% das mensagens enviadas por e-mails não são spam. China e Índia estão tecnicamente empatados na segunda posição, respondendo por 90% do tráfego de mensagens não solicitadas. Independente do país, as estatísticas demonstram que a maior parte dessas mensagens são disparadas nos finais de semana, quando também são verificadas as maiores distribuição de vírus e outras pragas digitais.


No mês passado, na média, uma em cada 305 mensagens carregava consigo um vírus. Na Alemanha e no Brasil, a situação é bem pior. Cada internauta alemão recebe em seu computador um vírus a cada 165 mensagens que dão entrada em suas caixas postais. No caso do Brasil, esta relação é de um vírus para cada 180 mensagens recebidas. A boa notícia neste caso é que a média mundial, em relação a vírus, é a menor em toda a história da internet.


Em seu relatório mensal, a MessageLabs chama a atenção para dois aspectos principais. Primeiro: o número de vírus e demais pragas que agora estão circulando por imagens anexadas aos corpo principal da mensagem, com códigos extremamente bem elaborados, o que dificulta a filtragem pelos principais antivírus existentes no mercado. O segundo destaque, tem caráter temporal: o recorde de ataques à máquinas pessoais e corporativas ocorreu durante a realização do G20, o encontro que reuniu em Londres os governantes dos 20 países mais ricos do mundo.


A maior parte destes ataques ocorreu na forma de falsos releases cujos temas estavam nas pautas da reunião, o que dificultava ou até mesmo impedia que o destinatários das mensagens recheadas de vírus desconfiassem da arapuca que estavam se metendo. Também desta vez, foi detectada um aprimoramento das técnicas utilizadas pelas quadrilhas que agem livremente no mundo virtual: o texto fazia referência a um arquivo em PDF, que, por sua vez, embutia um pequeno programa encarregado de buscar em outro servidor a praga que tornaria o computador infectado em instrumento para os mais variados crimes e fraudes.

Spam? Delete, sem dó ou piedade


ROBSON PEREIRA


O bom senso recomenda mandarmos para a lixeira todos as mensagens que contenham indícios de tratar-se de (mais) um spam. Não é preciso prática nem habilidade. Na maioria das vezes, o próprio subject denuncia a chegada de uma dessas abomináveis pragas. Em outras, “a prova do crime” está no nome do remetente, alguém que você nunca ouviu falar e que se esconde num desses servidores anônimos de e-mails que existem às dezenas na internet.


Estava na minha rotina diária de separar o joio do trigo (ou será o contrário?) da minha caixa postal, quando fui surpreendido com o apelo inconfundível, tanto quanto surpreendente. “Mais de 400 milhões de endereços eletrônicos para você”, anunciava um espertinho. Não resisti e resolvi conferir e correr os riscos de ver minha máquina invadida por um desses vírus que chegam via e-mail.


Fui fisgado pelo número. Afinal, 400 milhões de endereços representam mais de meio milhão de folhas (frente e verso) impressas no formato de uma lista telefônica. Com tantos e-mail, é praticamente impossível que o meu, o seu, o nosso nome tenha ficado de fora.


O monumental catálogo faz parte de um conjunto de cinco CDs. Os endereços eletrônicos, de acordo com a mensagem, estão organizados por país, sexo, ramo de atividade e outros dados pessoais de cada um dos nomes listados, como, por exemplo, suas preferências esportivas, áreas de interesse na internet e até o idioma falado.


Querem um bom exemplo? Na mensagem, o tal atacadista de spams destacava a existência nos CDs de 7 milhões de endereços eletrônicos de pessoas que falam mandarim, o principal idioma utilizado pelos chineses, além de um pacote com 14,2 milhões de endereços eletrônicos de brasileiros, incluindo 2,6 milhões de empresas instaladas no País.


“Temos tudo que você precisa, em qualquer idioma”, sintetiza o e-mail. Tudo isso por apenas… Não importa. Não vamos comprar mesmo, não é?


A lista oferecida é atualizada a cada semana, por meio de poderosos softwares que varrem toda a Web, incluindo não apenas sites, mas salas de bate-papo e grupos de discussões, além de uma quantidade imensa de bancos de dados online.


Transforme o seu computador em uma máquina de fazer dinheiro vivo, utilizando nossas receitas ou descobrindo a sua própria forma, sugere o criativo vendedor. O pacote inclui ainda vários outros serviços, como um software que, ironicamente, é capaz de fazer com que o “seu” (nosso, no caso) spam não consiga ser barrado por nenhum desses filtros anti-spams que existem por aí.


“Se você instalar esse programa, não receberá mais, por exemplo, mensagens como esta que está lendo agora”, promete candidamente o espertinho, como quem oferece a galinha junto com os ovos de ouro.


Para quem estiver se perguntando como administrar tamanho banco pirata de dados, o atacadista oferece como brinde 20 programas capazes de enviar até 40 mil mensagens em apenas uma hora. Significa que 220 spams poderiam ser enviados a cada segundo. Fazendo as contas, seriam necessários 15 dias ininterruptos para atingir toda a base de usuários brasileiros contida nos CDs.


Se todas essas mensagens fossem enviadas para um mesmo servidor teria o efeito de um bomba poderosíssima, capaz de interromper complemente o tráfico de internet de um grande provedor ou mesmo de vários desses juntos. Nos Estados Unidos, tal possibilidade seria suficiente para enquadrar um sujeito que oferece 400 milhões de endereços eletrônicos (obtidos de forma ilegal) e as ferramentas para disseminação maciça de um volume monumental de mensagens como suspeito de atividades terroristas, embora os próprios americanos confundam, muitas vezes, o que essa expressão significa.

Um autêntico CP1250 no fundo da gaveta


ROBSON PEREIRA


É curioso – e de certa forma assustador – como o conceito de tempo tem sido influenciado pela tecnologia. Até um passado recente, uma boa limpeza na gaveta produzia uma pilha de papéis, impressos e outras tralhas que invariavelmente acabavam no lixo ou, na melhor das hipóteses, arquivadas em caixas até que uma nova faxina resolvesse o problema.


Já a minha última “operação limpeza” resultou numa pilha de CDs e uma ou duas dezenas disquetes (alguém se lembra?), além de oito telefones celulares inutilizados, com seus respectivos acessórios, entre outras coisas que tiveram o mesmo destino. Um pequeno equipamento, no entanto, resistiu mais uma vez e continuará, até a próxima faxina, em lugar de destaque no fundo da primeira gaveta à esquerda.


Para ser franco, o tal objeto, do tamanho de um mouse está à minha frente, enquanto escrevo este texto. O formato é retangular (mede aproximadamente 6 cm x 8 cm), tem apenas meia dúzia de teclas, mas repousa, imponente, na capa-suporte com o nome do fabricante e a inscrição “CP1250” em letras douradas.


Na tarde de 27 de março do longínquo ano de 1999, dez anos, portanto, a Motorola anunciava oficialmente no Brasil a sua revolucionária tecnologia Opto, lançada apenas duas semanas antes, nos Estados Unidos, durante uma das mais concorridas feiras do setor de tecnologia. O apelo era sedutor: o tal CP1250 estava sendo apresentado como “a internet de bolso” e se tornou um dos principais destaques também da Telexpo, realizada naquele ano, em São Paulo.


A promessa era permitir conexão permanente a conteúdos web previamente selecionados pelo usuário, com a vantagem de dispensar totalmente o uso de telefones, computadores, fios ou até mesmo provedores de acesso à Internet. Que luxo, não?


Sua arquitetura permitia armazenar 117 mil caracteres de informações, o que representam cerca de 20 vezes o texto contido nesta coluna. Quando lançado, oferecia algo em torno de 80 tipos de serviços web, com destaques para a área de notícias. Nada de short messages ou simples (embora contundentes) “Atlético-MG 2 x 6 Corinthians”. Podem acreditar: dava para ler bem e acessar todo o canal de últimas notícias de um portal como o www.estadao.com.br.


Eu vi, estava lá. A notícia entrava no site e segundos depois aparecia na tela do CP1205, com iluminação automática, organizada de acordo com as suas preferências – economia, política, mundo, cotações, esportes etc. A notícia mais recente derrubava a mais antiga de uma relação de oito – se não me falha a memória – de cada área de interesse. A não ser que você transferisse uma determinada informação para “outra gaveta”, abrindo espaços e evitando que fosse derrubada.


Na época, a Motorola anunciou um gasto de US$ 15 milhões no desenvolvimento da tecnologia Opto. Não tenho os números em mãos, mas acredito que poucas pessoas viram um desses aparelhinhos. Menos, ainda, tiveram a chance de utilizá-lo. E olha que o CP1250 era um pager. Um pager de última geração, é verdade, embora tenha sido também a última geração de um pager. Não sei se ele ainda existe, se está no mercado ou se resiste apenas em minha gaveta, já sem as funções que experimentei por vários meses.


A tecnologia é mesmo implacável. Antes de repor minha relíquia à gaveta, vejo sobre a mesa uma revista especializada que traz na capa as últimas maravilhas em telefones celulares apresentadas ao mundo no início do mês, na Alemanha. Na primeira olhada, tive dificuldade em identificar na imagem algo que lembrasse um simples telefone. Mas de simples, eles não têm nada.


Os fabricantes já economizam no designer – bem parecido com o console de um videogame – nem nas possibilidades oferecidas pelos novos aparelhos. Quase tudo é possível nessas novas maravilhas tecnológicas – inclusive falar com a namorada ou com o pediatra do seu filho. Câmeras digitais, receptores de rádio FM e TV digital, música e vídeo nos mais variados formatos, GPS, envio ou recebimento de mensagens multimídia, como clipes de vídeo ou de áudio com apenas um toque na tela…


Lembrei-me de uma geladeira lançada há alguns anos mercado asiático que faz tudo isso descrito acima, com a vantagem de também manter a sua bebida preferida na temperatura adequada. Custava US$ 8 mil. Se ainda existe, deve andar estar na faixa dos US$ 2 mil. Talvez seja apenas um mal humor passageiro provocado pela ausência da minha “internet de bolso”, mas por via das dúvidas acho que preciso começar a pensar em gavetas bem maiores.