ROBSON PEREIRA
São poucos os endereços na internet que podem comemorar a marca de 1 milhão de visitantes e conciliar interesses diversos de leitores de 270 países. Howard Hillman é responsável por um deles, o www.hillmanwonders.com, um site de viagens diferente da maioria dos que existem por aí e que se propõe, sem falsa modéstia, a relacionar em um só lugar as mil maravilhas turísticas que existem no mundo.
É um prato cheio para os viajantes mais exigentes e, de quebra, uma bela massagem no ego brasileiro.
Hillman sabe o que diz e tem credibilidade para dizer o que sabe. Especialista em gastronomia e turismo, formado pela Harvard Business School, escreveu 25 livros sobre o assunto e colabora para uma dezena de jornais e revistas, numa relação que inclui títulos como The New York Times, Washington Post, Wall Street Journal e Newsweek, entre vários outros.
Orgulha-se de ter percorrido em 30 anos quase 2 milhões de quilômetros e cruzado as fronteiras de uma centena e meia de países, “do Afeganistão ao Zimbawe”. Nessa peregrinação, experimentou as delícias e a sofisticação de cidades como Paris e New York, mas rendeu-se também aos encantos de um sem-número de vilarejos. Com tanta bagagem, decidiu rever e ampliar a milenar lista das Sete Maravilhas do Mundo Antigo, considerada por ele incompleta e insuficiente.
O planeta é grande e bonito demais para cultuar tão pouco, acredita Hillman. Ele não despreza o valor histórico de monumentos como o Colosso de Rhodes, os Jardins Suspensos da Babilônia, o Farol de Alexandria ou os templos de Zeus e Artemis, mas sugere em tom de brincadeira que a lista foi organizada por alguém pouco viajado. Afinal, todos esses monumentos cobrem menos de 5% da superfície da Terra e já se passaram mais de 4 mil anos desde que a Pirâmide de Khufu começou a ser erguida.
Ao contrário da lista famosa, as maravilhas relacionadas em Hillmanwonders.com estão espalhadas por todo o mundo. São mil destinos no total, divididos em três grandes blocos e que representam, segundo afirma, apenas 1% dos lugares que realmente fazem diferença no mundo e que todos deveriam conhecer um dia. Pelo menos, um deles.
Ao lado de pontos turísticos tradicionais, como as Pirâmides do Egito e a Muralha da China, que encabeçam a relação, Hillman incluiu roteiros pouco convencionais, como Ngorongoro, na África, ponto de partida para a maior migração de animais selvagens em todo o mundo. São mais de 1 milhão de zebras, elefantes e outros animais (carnívoros fora, evidentemente) que passam o ano se deslocando em uma rota circular em busca de água e comida, explica o guia.
O Brasil está bem representado no ranking, com quatro citações entre as cem maravilhas do mundo em todos os tempos. Duas delas, as Cataratas do Iguaçu e a Floresta Amazônica, foram incluídas no seleto grupo dos dez mais deslumbrantes destinos em todo o mundo, ao lado de endereços mundialmente conhecidos, como as Pirâmides do Egito, o Taj Mahal (Índia), o Grand Canyon (EUA) e Machu Picchu (Peru), além da já citada muralha amarela.
Hillman gosta do Rio e deixou isso bem claro: as praias de Ipanema e Copacabana, o Pão de Açúcar e o carnaval carioca na Marquês de Sapucaí, que no ranking aparece à frente da Torre Eiffel, o monumento símbolo de Paris e das Cataratas do Niágara, ambas incluídas entre as atrações turísticas mais visitadas no mundo.
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